Complexo arqueológico de Abu Simbel
25.06.2020 Abu Simbel: obra-prima da arquitetura egípcia

Para compreender a potência do maior faraó do antigo Egito, Ramsés II, o único que reinou por 67 anos, basta visitar o complexo arqueológico de Abu Simbel. Os templos colossais, talhados nas formações rochosas de grandes penhascos, guardam uma série de curiosidades que fazem de Abu Simbel, um local único.

Instalado no sul de Assuã, a praticamente 40 km ao norte da fronteira com o Sudão, o Templo de Abu Simbel foi esculpido no século 13 a.C., em homenagem ao próprio Ramsés II, onde ele se apresenta ao lado de divindades. Igualmente suntuoso, o Templo de Hathor é dedicado a sua esposa preferida, a rainha Nefertari.

Mesmo com as ações do tempo ambos permanecem da mesma forma, em boas condições de preservação. No entanto, correram um grande risco de desaparecer por completo durante a construção da Grande Represa de Assuã. Antes de mais nada eu já conto: foi preciso uma colaboração internacional com o auxílio da UNESCO.  Ficou curioso pra saber como isso aconteceu? Então vem junto!

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Abu Simbel: contexto histórico


Em Abu Simbel a figura de Ramsés II está por toda parte

A construção do Templo de Abu Simbel levou 36 anos para ser terminada, resultando em um dos mais impressionantes templos egípcios, com uma fachada única de 33 metros de altura e 60 metros de rocha adentro.

Contudo, o local não foi escolhido à toa. Instalado na fronteira com a Núbia, antigo país onde hoje fica o Sudão, o templo servia como um aviso para quem ousasse se atrever com o poder egípcio e a soberania local. Ou seja, servia como uma fortaleza, barrando qualquer tentativa de invasão.

Grandiosas estátuas retratando Ramsés II recepcionam os visitantes, deixando nítido como ele se desloca da condição humana. Em outras palavras, ele se apresenta igualmente como um deus ao lado das divindades. São quatro imagens de 22 metros onde o grande faraó aparece sentado nos tronos, utilizando as coroas duplas do baixo e do alto Egito. Como resultado de um terremoto em 27 a.C., uma das figuras, perdeu a cabeça.

Internamente a ostentação fica por conta do salão principal onde estão enfileiradas oito estátuas de Ramsés, como se fosse Osíris. Nas paredes, relevos ilustram seu poder, coragem e bravura. O destaque maior de todo o templo é o santuário interno que abriga quatro estátuas sentadas: o faraó com Amon, deus do oculto, Ptah, deus da construção e Ra-Harakhte, o deus do sol.

Curiosa foi a engenharia utilizada há mais de 3.200 anos para conquistar uma das mais incríveis façanhas. Duas vezes ao ano o templo recebe internamente os raios do sol nas quatro estátuas do santuário interno: originalmente era 21 de fevereiro, data do nascimento de Ramsés II e 21 de outubro, dia da sua coroação como faraó. No entanto, a data sofreu uma alteração.

O Templo de Abu Simbel ficou totalmente encoberto por areia até 1813, ao passo que, quando o explorador suíço Johann Ludwig Burckhardt conseguiu encontrá-lo, ele estava totalmente soterrado em meio ao deserto.


Templo de Hathor: a deusa do amor e da felicidade 


Templo de Hathor: construido para a esposa preferida de Ramsés II, Nefertari

No complexo arqueológico, ao lado do templo dedicado ao faraó, está o Templo de Hathor, erguido em homenagem a preferida entre tantas esposas, Nefertari. Seu amor por ela era tanto, que Ramsés mandou construir estátuas onde ele e ela eram representados do mesmo tamanho, algo incomum dentro da realidade egípcia. 

Consagrado em reverência a Hathor, a deusa que representa o amor, a beleza, a música, a dança, a felicidade e a maternidade, o templo possui a sua imagem em destaque, cultuada como uma vaca divina, com chifres e um disco solar na cabeça. 

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Abu Simbel: como visitar?


É preciso de escolta policial para chegar até o complexo arqueológico de Abu Simbel

Existem outras possibilidades de visitar o complexo arqueológico de Abu Simbel, como ônibus, cruzeiro e até avião, mas preferi fechar o passeio com uma empresa egípcia por estar sozinha e pela região ser uma área relativamente de risco.

O passeio para conhecer os templos começa cedo, 4 horas da manhã. Os hotéis da região, como o que eu fiquei em Assuã, já estão adaptados ao horário, deixando preparado lancheiras aos hóspedes com o café da manhã.

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A estrada em meio ao deserto é fechada e o trajeto de 288 quilômetros é feito apenas com escolta policial. Acredito que não seja tão perigoso, já que nos últimos 20 anos foram noticiados apenas três ataques terroristas em regiões turísticas por todo o país.

Todos os micro-ônibus de passeio das agências locais se encontram em um determinado ponto, para que os guardas possam acompanhar. Seguimos pela rota praticamente vazia, no entanto com várias barreiras policiais. O cenário desértico me lembrou algumas passagens do livro “O Pequeno Príncipe”, por conta do aviador perdido no Saara.  Já vale a pena a experiência em ver de perto pequenas tempestades de areia. 

Sol refletindo nas areias do deserto do Saara no Egito 

É importante levar água, frutas e protetor solar na bolsa, pois lá não existe nenhuma estrutura.  

Em Abu Simbel tudo é grandioso. Tanto que, mesmo com a grande quantidade de viajantes que chegam ao mesmo tempo, é possível contemplar sem tumulto. 

Infelizmente dentro dos templos não é possível tirar fotos, mas podemos andar por toda a região e ver de perto o Lago Nasser. Por volta das 15 horas começa a longa viagem de retorno para Assuã. 


Deslocamento dos templos de Abu Simbel 


Deslocamento de Abu Simbel – Imagem: Domínio Público 

A construção da Represa de Assuã no início do século passado trouxe uma série de melhorias para a comunidade local, contudo na década de 1960 surgiu com o tempo a necessidade de ampliar a sua operação. As consequências disso seria a inundação que certamente ocorreria com a nova barragem. Isso não teria problema algum, se a região não possuísse tantos sítios arqueológicos

Em suma, foi então que os governos do Egito e do Sudão se uniram para pedir ajuda a UNESCO. A instituição aceitou o apelo e de antemão começou uma campanha internacional para arrecadar fundos e ajuda de trabalhadores voluntários, a fim de salvar um patrimônio arqueológico de toda a humanidade.

Auxiliando com profissionais e recursos financeiros, 48 países se dispuseram a ajudar. Apesar disso alguns templos não puderam ser salvos por conta de questões técnicas e financeiras. Os principais locais a serem resgatados eram o Templo de Abu Simbel, o Templo de Hathor e o Templo de Philae, em Assuã.


Procedimentos técnicos


Nasser: maior lago artificial do mundo 

Com a ampliação da represa e o escoamento, surgiu o maior lago artificial do mundo, o Nasser. Dessa forma, foram gastos cerca de 40 milhões de dólares.  

Para o transporte o Templo de Abu Simbel teve que ser recortado da rocha original e instalado em um penhasco artificial, a 65 metros para cima da posição original e 210 metros para trás. Similar a um quebra-cabeças gigante, ele se transformou em 1.050 blocos catalogados, pesando entre 7 e 30 toneladas.

Andaimes gigantescos foram utilizados para a reconstrução total que, mesmo com o trabalho extremamente minucioso, conseguiu manter o fenômeno dos raios do sol, tendo a falha de apenas um dia. Atualmente, o episódio ocorre nos dias 22 de fevereiro e 22 de outubro de todos os anos.

Em síntese, após cinco anos, todo o processo foi finalizado. Como forma de agradecimento, o Egito posteriormente agraciou as principais nações que cooperaram com algumas importantes peças, como:

– Cuba: Sarcófago de madeira policromada (Havana)

– Espanha: Templo de Debod (Madri)

– Itália: Templo de Ellesiya (Turim)

Holanda: Templo de Tafa ( Leiden)

– EUA: Templo de Dendur (Nova York)

Reserve seus momento especiais em Abu Simbel, visitado o complexo arqueológico com a empresa parceira do Zanzemos, a Get Your Guide. Eles oferecem:

– Excursão de um dia aos templos de Abu Simbel de avião

– Tour Templos de Abu Simbel c/ Guia Egiptólogo

– Templos de Abu Simbel de ônibus ou carro particular


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Olá, meu nome é Thatiane Ferrari

Jornalista especializada em cultura. Já zanzei por mais de 35 países, na maioria das vezes sozinha e com o orçamento curto. Decidi reunir aqui minhas andanças pelo mundo, com o objetivo de compartilhar e estimular a ideia de menos consumo e mais vivência. Viajar é possível, basta planejar!

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