26.06.2020 O que fazer no Cairo? Conheça a capital do Egito

Mais do que a porta de entrada para conhecer de perto a civilização mais fascinante do mundo antigo, Cairo no Egito, possui uma singularidade ímpar. Super povoada, com mais de 20 milhões de habitantes na região metropolitana, há tanto o que fazer no Cairo, que o viajante pode ficar um pouco perdido.

Existe uma vivacidade que não se encontra em qualquer lugar: é um agito que só. Tudo isso misturado com a poeira da areia do deserto e a poluição dos carros. À primeira vista, dá até para achar o cenário caótico. A vida dos egípcios acontece nas ruas: as pessoas assam o pão, cortam a carcaça do boi e rezam nos tapetes estampados deixados no chão.  


O que fazer no Cairo? Conheça os principais lugares para visitar!


Existem muitas realidades distintas que dependem de como e com quem você está viajando. De maneira geral é recomendado seguir as regras muçulmanas em relação às vestimentas e comportamento na hora de escolher o que fazer no Cairo, respeitando assim a tradição e os costumes locais.

Falo mais sobre isso no Viagem ao Egito: tudo o que você precisa saber! . Para as mulheres viajantes,  tenho um relato completo sobre Viajando Sozinha para o Egito.

Quer se aventurar pelos caminhos da história do Antigo Egito e ao mesmo tempo conhecer a fundo o Cairo Islâmico? Aqui vão algumas dicas imperdíveis:


Museu Egípcio


Entrada do Museu Egípcio

Fundado em 1835 pelo governo local e aberto ao público em 1858 com a ajuda do arqueólogo francês Auguste Mariette, o Museu Egípcio é na minha opinião o melhor museu do mundo, por conta dos tesouros que ali estão guardados. São dois andares com as mais preciosas antiguidades do Antigo Império (2700-2200 a.C.) até o Novo Império (1600-1200 a.C.).

É possível que o visitante se perca por conta de tantas antiguidades que ali estão diante dos olhos. São mais de 120 mil peças expostas e milhares de outras guardadas nos porões, já que as escavações pelo Egito não param e ainda há muito para ser encontrado. 

O destaque não poderia ser outro: os tesouros do faraó da décima oitava dinastia, Tutankhamon. Em seu mausoléu, descoberto em 1922 e aberto apenas em 1923, havia mais de 5 mil peças, entre elas o sarcófago em ouro maciço, juntamente com uma máscara mortuária de 11 quilos de ouro em tamanho natural e o seu trono de ouro e ébano. Ele teve pouco poder como faraó, pois morreu jovem. Todavia, a sua tumba é a mais famosa, pois foi a mais intacta encontrada até hoje. 

Já no Salão das Múmias Reais é possível encontrar os restos mortais de faraós e rainhas, em ordem cronológica. Dizem que gastando um minuto para ver cada uma das obras, seria necessário permanecer por lá durante 9 meses. 

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Novo museu

Infelizmente as condições do museu atual são muito questionáveis. Peças amontoadas e com teias de aranha é comum. Em outras palavras, falta um investimento maior no que diz respeito à conservação, porém está sendo construído um novo museu na região de Gizé, próximo as pirâmides. A ideia é que ele seja maior e que possa abrigar dignamente as antiguidades. 

Enquanto não abre, minha recomendação é que o seu primeiro compromisso no Cairo seja o Museu Egípcio, localizado na Praça Tahrir, a principal da cidade e palco dos protestos na Primavera Árabe. O contato direto com as peças da antiga civilização vai ajudar melhor na compreensão durante as visitas aos templos, caso seu roteiro pelo Egito seja maior.

Na porta do museu, existem vários profissionais credenciados que se oferecem para fazer o passeio guiado. É preciso conversar bastante sobre as condições e negociar o preço. 


Pirâmide de Saqqara


Saqqara no Cairo
Saqqara: a primeira pirâmide do Egito

Na lista de atividades das pessoas que procuram o que fazer no Cairo muitas vezes não está uma visita a Saqqara. No entanto, o que muita gente não sabe é que lá está a primeira pirâmides do Egito. A região de Saqqara funcionava durante o Antigo Império como a necrópole real de Mênfis, a cidade vizinha.

Construída em seis andares com pedra calcária e tijolos de adobe, a chamada Pirâmide Escalonada de Djoser é datada de 2.630 a. C. Serviu como túmulo do rei Djoser da terceira dinastia e foi projetada por Imhotep, um homem que merece destaque por sua genialidade como arquiteto, engenheiro e médico.


Mênfis


Estátua de Ramses II
Estátua gigante de Ramsés II em Mênfis agora fica no novo museu

Primeira capital do Egito durante o Antigo Império, período das primeiras dinastias, Mênfis era outrora esplendorosa. Com o passar do tempo, perdeu seu status de cidade principal e se tornou ruína, deixando para trás muitas histórias. Atualmente, as peças que foram encontradas durante escavações no local estão expostas no Museu de Mênfis


Pirâmides de Gizé


É possível subir nas pirâmides apenas até a entrada

Quando vemos fotos das três mais famosas pirâmides do Egito, é natural imaginarmos que elas estão localizadas na imensidão do deserto do Saara. Porém, o que muita gente não sabe é que elas na realidade ficam entre Gizé e Heliópolis, região no subúrbio do Cairo.

Enigmáticas, cada uma possui sua própria história. A maior delas foi construída para abrigar a múmia e os tesouros do faraó Quéops. Para se ter uma ideia do tamanho da pirâmide, ela possui a altura de um edifício de 50 andares. 

Já a segunda foi construída pelo filho de Quéops, o faraó Quéfren. Em respeito ao pai, a pirâmide dele é 10 metros mais baixa. Todas elas possuíam um revestimento por fora, mas foram saqueadas com o passar dos anos. Apenas a pirâmide de Quéfren possui a ponta revestida de calcário branco.

A menor delas com 66 metros é a do neto, o faraó Miquerinos. Foi aliás, a que eu entrei. Tudo lá dentro é estreito e bem claustrofóbico.  O ideal é que você tenha uma pequena lanterna para iluminar o caminho. Nem sempre as pirâmides estão abertas para visitação interna, é preciso que o guia verifique previamente.

Antigamente os faraós possuíam mastabas como túmulos, que eram pequenas construções. Porém, a ideia de pirâmide surgiu pela ligação da ponta entre o céu e a terra. Os egípcios antigos acreditavam na vida após a morte e por isso precisavam de um lugar onde pudessem descansar sua múmia e tesouro, para ser utilizado no outro lado da eternidade. 

Mistérios do Egito Antigo

Piramide do Egito
Entrada de uma das pirâmides

O que permeia sempre as conversas sobre as pirâmides do Egito é: se pensarmos que elas foram projetadas a 2.500 a.C., sem os recursos hoje existentes, quem as construiu?

Existem várias teorias sobre a construção delas, desde as mais fantasiosas e esotéricas até as científicas, dizendo que as pirâmides foram edificadas de dentro pra fora com túneis, rampas e sistemas de contra preso. Arqueólogos dizem que elas foram construídas com a força de mais de 20 mil homens comuns, que eram contratados para fazerem serviços ao Estado, recebendo em troca, grãos, cerveja e pão.

Para a preservação dos monumentos, desde 1980 é proibido escalar as pirâmides. Subir até a sua porta de entrada é o máximo permitido. Antigamente era comum casais apaixonados galgarem até o topo para marcar seus nomes em busca da união eterna. Há também registro de pessoas que se suicidaram, pulando lá de cima.

Eu particularmente não gosto e nem incentivo, mas há a possibilidade de fazer um passeio de camelo por entre as pirâmides. Elas parecem estar próximas, mas na verdade elas estão bem distantes uma das outras e o trajeto é longo. Indo com um guia, você faz todo o trajeto de carro.   

Ao anoitecer, algumas agências como a Get Your Guide oferecem um pacote de jantar com comida egípcia e show de luzes nas três pirâmides, com projeções que contam a história do lugar.


Grande Esfinge


Esfinge e Piramides
A Esfinge e as Pirâmides vistas de fora

Uma das estátuas mais altas do mundo, esculpida em uma rocha única, a Grande Esfinge foi erguida com o intuito de proteger a pirâmide de Quéfren. No antigo egito, ela era chamada de Abul ‘I- Hol, que significa Pai do Terror. Sua cabeça representando o próprio faraó Quéfren, é sustentada por um corpo de leão, com as garras para frente. 

Durante séculos ela ficou soterrada até o pescoço por conta das tempestades de areia. Há quem acredite que Napoleão, durante suas andanças pelo Egito, acertou o nariz da imagem. De qualquer modo, não existe comprovação da veracidade. 

VIAGEM PARA O EGITO : 
Como tirar o visto para o Egito?  
-Viagem ao Egito: tudo o que você precisa saber!  
– O que fazer no Cairo? Conheça a capital do Egito  


Khan al-Khalili


Um dos maiores e mais antigos mercados ao ar livre do Oriente Médio, o mercado foi fundado em 1382, pelo domador de cavalos Garkas al-Khalili. As cores e os cheiros complementam o ambiente, que mais parece um labirinto. Prepare-se para ver de tudo um pouco: tapetes, roupas islâmicas, tecidos, lustres de cobre, perfumes, jóias, acessórios de dança do ventre, narguile…

Obviamente que também há lojas de souvenirs, mas o mais interessante é que o mercado não tem nada de turístico, pelo contrário, ele é totalmente inserido na vida de seus moradores locais.

A arte da negociação faz parte da cultura árabe, por isso aproveite para pechinchar. Você irá se surpreender com a quantidade de idiomas que os vendedores são capazes de falar, apenas para lhe convencer a levar para casa suas mercadorias. Não sei se por conta do horário, mas fui no início da tarde e tive dificuldades de andar, de tão cheio que estava.


Cidadela (Al- Qualaa ) e o  Cairo islâmico


Cidadela no Cairo
Cidadela: onde é possível encontrar a Cairo Islâmica

Pode ser que sua viagem tenha sido motivada por conta dos faraós, deuses e mitos do Egito Antigo, mas ignorar a realidade atual egípcia e adentrar ao Cairo islâmico, é perder a oportunidade de conhecer uma cultura extremamente rica.

A chamada Cidadela, antiga sede do governo egípcio, é constituída por diversas mesquitas e museus. Seus principais destaques são as mesquita de Mohammed Ali, a mesquita de Solimão Pasha e a vista do Cairo a partir da suas fortificações.

Quando estiver por lá a Cidadela estava fechada. Consegui entrar apenas da Mesquita do Sultão Hassan. Devidamente vestida, porém sozinha, fui muitas vezes intimidada com os olhares e questionada onde estava meu marido e meus filhos. Sinceramente se eu tivesse mais tempo, teria contratado um guia para me acompanhar.

Foi a primeira vez que adentrei uma mesquita e fiquei impressionada com o que vi. A grandiosidade de seus tapetes e arcos, evidencia uma riqueza de detalhes, principalmente nos lustres pendurados. Suas obras tiveram início em 1356 e foi financiadas com dinheiro ganho da venda das propriedades pertencentes pelos egípcios que morreram da peste negra.


Cairo Tower (Burj Al-Qāhira)


Cairo Tower
Do alto da Cairo Tower a cidade até parece silenciosa

De lá de cima, do alto da Torre do Cairo, a beleza da cidade fica realmente evidente e todo o caos de uma grande metrópole se silencia. Ver a tranquilidade com que os barcos navegam pelo Nilo, a tonalidade alaranjada do cair da tarde e as luzes que se acendem com a noite, são os presentes quem sobe os 187 metros da torre, recebem.

Aberta ao público em 1961, além de servir como ponto de observação e antena de TV, ela possui no topo um restaurante giratório. Seu formato com 8 milhões de trançados em granito, nos remete a uma flor de lótus, um dos símbolos do Egito. 

Em dias claros e com menos poluição é possível ver as pirâmides no horizonte. Prefira ir no final da tarde para ver o pôr do sol e escutar o som do chamado da oração islâmica.


Corniche el-Nil


Rio Nilo Egípcios
Egípcios sentam no final da tarde próximo ao rio

Tudo acontece nas margens do Rio Nilo. Cruzar os braços nas grades que ficam em torno do rio e observar a vida local também pode ser um incrível programa cultural. Ver homens de mãos dadas, casais de namorados andando distante, pessoas sentados em bancos para colocar os pés na água do rio. A também passeios em barcos do tipo felucca (no estilo à vela) e também barcos com os jantares dançantes, frequentado por turistas.


Passeios no Egito


Rio Nilo
Rio da vida: assim que é chamado o Nilo no Egito

Desde o Brasil eu contratei uma agência egípcia, a Hola Egypt Tour para me ajudar nestas questões de passeios e transfers, como expliquei detalhadamente nessa matéria Roteiro pelo Egito: como programar uma viagem?

Assim, dentro do Cairo pude conhecer com uma guia especializada em egiptologia, falando em espanhol, a pirâmides de Giza, Saqqara, Memphis e a Grande Esfinge. Todos os outros passeios como a Cairo Tower, Museu do Cairo, Mercado Khan al-Khalili e Cidadela eu fui sozinha, seguindo as normas locais de vestimentas.

Na porta dos lugares, costuma existir dois preços, o dos egípcios e dos estrangeiros, que na maioria das vezes é pelo menos três vezes mais caro. Existe a possibilidade de desconto estudantil. Não precisa necessariamente ser a Carteira Internacional do Estudante, mas é preciso ter a validade impressa.


Noite no Cairo


Rio Nilo em imagem noturna
Noite no Cairo: bares, show de luz e jantar no Nilo

Como o calor é muito intenso durante o dia, é comum as atividades começarem um pouco mais tarde, por isso as noites são bem mais largas. 

Por todos os lados existem cafeterias que servem chás e narguiles, que lá são chamados de sheesha. Eles são fanáticos por futebol, por isso é normal ver a galera vendo os jogos. Em todos os bares vi apenas homens sentados, o que me deixou pouco à vontade para entrar. 

O dia que eles costumam mais sair é de quinta de noite, já que no Egito os dias da semana são diferentes. A sexta-feira deles corresponde ao nosso domingo, quando quase ninguém trabalha. E o nosso domingo para eles é como a segunda-feira, ou seja, o primeiro dia da semana.

Algumas agencias como a Get Your Guide oferecem a possibilidade de curtir um jantar dançante no Nilo, com comida local, show de música árabe e apresentação de dança do ventre.


Onde se hospedar no Cairo? 


Praca principal do Cairo no Egito
Praça Tahir: palco da Primavera Árabe no país

A melhor região para se hospedar no Cairo é no centro, próximo ao rio Nilo. De lá, é possível caminhar tranquilamente para diversos pontos interessantes da cidade.

Acabei ficando no Freedom Hostel, que é um lugar bem simples, com café da manhã e bem localizado. Ele fica no último andar de um prédio bem antigo e só o ato de descer as escadas todos os dias já é bem cultural, vendo os homens rezarem em seus tapetes pelos andares. É possível contratar no hostel o serviço de transfer, saindo do aeroporto.

No meu caso eu queria fazer amizades, por isso escolhi hostel, mas os preços no Cairo costumam ser bem em conta por isso compensa muitas vezes ficar hospedado em hotel. Dá até para encontrar opções 5 estrelas com valores baixos, como o Pyramisa Suites Hotel Cairo. 

Há quem prefira ficar bem perto das Pirâmides e a vista noturna costuma ser bem lindas. Os hotéis com ótimo custo benefício são esses: Giza Pyramids Inn ou o Royal Pyramids Inn

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Como circular por lá? 


Não sei se você já viu imagens, mas o trânsito no Cairo é extremamente caótico. Só vi algo igual em países da Ásia. Parece até que não existe nenhum tipo de lei de trânsito. Para se ter uma ideia, mesmo tendo farol o semáforo não é respeitado. Ou seja, para atravessar uma rua é preciso literalmente se enfiar no meio dos carros. 

Enquanto estive lá não vi ninguém ser atropelado e nenhuma briga de trânsito, mas peguei alguns congestionamentos em carros sem ar condicionado, que vou te contar… que dureza! Para quem se interessar, tem um filme que fala apenas sobre isso: o Cairo Drive. 

De qualquer modo, existe uma rede considerável de transporte público no Cairo, que é o metrô. Inclusive ele possui vagões exclusivos para o uso apenas de mulheres. Porém, enquanto estive por lá optei por andar a pé, viajar sempre com transfers previamente contratados ou táxi.

Lembrando que nem todo mundo fala inglês, ou seja, pode ser que ao entrar no táxi, o motorista não entenda o seu pedido. Convém separar fotos do lugar onde você quer ir (exemplo: Praça Tahrir ) ou o nome em árabe.

Por último, ao escolher o que fazer no Cairo, tenha em mente que está adentrando uma cultura diferente da sua e que deve ser respeitada. Para saber mais sobre o assunto, confira a matéria especial Viagem ao Egito: tudo o que você precisa saber!


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Olá, meu nome é Thatiane Ferrari

Jornalista especializada em cultura. Já zanzei por mais de 35 países, na maioria das vezes sozinha e com o orçamento curto. Decidi reunir aqui minhas andanças pelo mundo, com o objetivo de compartilhar e estimular a ideia de menos consumo e mais vivência. Viajar é possível, basta planejar!

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