Templo Branco Chiang Rai Tailândia
15.08.2020 Wat Rong Khun: o Templo Branco de Chiang Rai

A Tailândia possui oficialmente mais de 30 mil templos em seu território. Cada um com estilos, tamanhos e cores diferentes. Parece igreja em Ouro Preto, cada esquina tem uma. Porém, um deles me emocionou dada a intensidade do nosso encontro. Que perfeição! Wat Rong Khun, mais conhecido como Templo Branco de Chiang Rai, no norte do país.

Nele, além da reverência ao Buda, existem também diversos elementos que remetem a cultura pop ocidental. Personagens e personalidades dividem espaço com divindades do budismo e hinduísmo. Mesmo parecendo uma instalação de arte contemporânea, o local é realmente um templo e deve ser visitado seguindo as mesmas regras de vestimenta e comportamento dos tradicionais.


Templo Branco de Chiang Rai: processo de construção


Ponte Templo Branco Chiang Rai
Cada canto do templo possui um significado diferente

Idealizado por Chalermchai Kositpipat, o Wat Rong Khun é como um complexo de templos budistas. Suas obras foram iniciadas em 1997, partindo de uma estrutura já existente, porém sem nenhum tipo de conservação.

Com seus próprios recursos financeiros, cerca de 1,2 milhões de dólares, o artista revitalizou o lugar e começou o projeto com a previsão de término para 2070. A proposta original prevê ao todo nove edifícios, entre templos, salas de ensino, monastério, museu e áreas para meditação.

A entrada ao complexo é gratuita para tailandeses e paga por um preço simbólico para estrangeiros. Doações para as obras são aceitas, mas desde que não ultrapasse um valor máximo. O motivo é para que não exista nenhuma interferência externa em seu processo criativo. 

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Significados do Templo Branco de Chiang Rai


Mãos Templo Branco Chiang Rai
As mãos em súplicas representam os desejos desenfreados

O branco de sua estrutura com pequenos pedaços de espelho aplicados, brilham com os raios de sol. Tudo é branco, até os peixes presentes no lago são carpas chinesas brancas. A sensação de paz é indescritível. Rico em detalhes, é preciso estar com o olhar apurado para perceber cada uma das particularidades do santuário:

– A cor branca significa a inocência de Buda e os espelhos são os ensinamentos dele que brilha no universo;

– Seu telhado possui três camadas e é uma referência direta a arquitetura dos templos do norte da Tailândia. Ele representa cada um dos princípios da prática espiritual: preceito, meditação e sabedoria;

– A ponte principal que leva até o templo se apresenta como o caminho da felicidade, contra a tentação e a ganância do mundo. Quem quer passar por ela, deve deixar para trás as paixões e os desejos a fim de se purificar;

– As inúmeras mãos em posição de súplica reflete os desejos desenfreados;

– Já na porta de entrada, duas figuras simbolizam a morte e o seu destino. No cume da ponte há 16 monstros imortais representados como uma montanha das divindades;

Wat Rong Khun CHiang Rai
Dentro do Templo Branco é proibido tirar fotos

– Show a parte é a pintura interna do templo (infelizmente não é possível tirar fotos). O branco de fora dá lugar a cores vibrantes e incandescentes. Entre imagens da cultura budista, encontramos as torres gêmeas, Freddy Krueger e o exterminador do futuro. Tudo junto representa a libertação que nos leva ao mundo do dharma;

– Por todo o templo há imagens de criaturas místicas, como a Naga, uma divindade serpente, ao mesmo tempo em que encontramos personagens como Hello Kitty e personalidades como Michael Jackson. 

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Visitando o Templo Branco de Chiang Rai: informações úteis


Monge no Templo Branco
Monges caminham pelo Templo Branco

Antes de programar sua visita, tome nota de algumas dicas:

– O número de visitantes costuma ser grande, por isso o melhor a fazer é realmente chegar mais cedo, antes das grandes excursões, para aproveitar a tranquilidade do lugar. Caso prefira ir no fim da tarde, fique atento aos horários, para que possa ver tudo com calma;

É comum encontrar grupos de monges, todos com a vestimenta laranja. Com bom senso é possível tirar fotos, desde que não os incomode;

– O local possui uma estrutura com loja de souvenirs e café. Podemos também comprar pequenas placas para escrever nossos desejos e pendurar em uma estrutura metálica;

Personagens Templo Branco
Personagens dividem o cenário com imagens divinas

– Do lado de fora há uma galeria de arte com obras de Chalermchai Kositpipat. Vale muito a pena ver a beleza do trabalho do artista. Fiquei impressionada com o uso das cores; 

– Não deixem de ir ao banheiro. Sério! É um dos mais bonitos que você verá na vida. Do chão até o teto ele é completamente dourado. Ele representa o corpo, enquanto o Templo Branco simboliza a mente.

– Se você gostar de conhecer o Templo Branco, recomendo que vá até o Wat Rong Suea Ten, Templo Azul, idealizado por um de seus discípulos.


Regras básicas: templos budistas


Banheiro Templo Branco
No imponente edifício dourado fica o banheiro dos visitantes

Em respeito a religião, é imprescindível na Tailândia seguir as regras de conduta ao adentrar um templo: 

– Utilize roupas apropriadas, que cubra os ombros e os joelhos;

– Deixe os sapatos na porta do templo;

– Evite falar alto;

– Nao coma e nem beba dentro do templo;

– Nunca sente apontando os pés para a imagem de Buda;

– Não tenha comportamentos desrespeitosos (deitar no chão do templo, encostar nas imagens…) 

– Não demonstre comportamento afetuoso como abraços e beijos.


Se você quer se aprofundar na cultura local, aqui no Zanzemos temos uma matéria especial sobre as Tradições e Costumes da Tailândia: como é? 

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Quem é Chalermchai Kositpipat? 


Chalermchai Kositpipat
Totem para tirar foto junto com a imagem de Chalermchai Kositpipat

“Pretendo permanecer um pintor pela causa do budismo até o último dia de minha vida. Nada pode me mudar ou me desviar deste curso, nem fama, nem conteúdo”. As belas palavras de Chalermchai Kositpipat, um dos principais artistas do país, reflete bem o significado da arte em sua vida. 

Nascido em 1955, ele é um artista visual tailandês que iniciou seus trabalhos com pinturas de murais, misturando a arte tradicional tailandesa com elementos contemporâneos. 

Começou a ganhar notoriedade quando pintou alguns murais para o Wat Buddhapadipa, o primeiro templo budista instalado em Londres. Utilizando de cores vibrantes e um estilo surreal, apresentou imagens que retratavam a vida de Buda e também de algumas celebridades como Margareth Thatcher e Madre Teresa de Calcutá.

Com o tempo foi se aproximando do caminho em busca do dharma e direcionando a sua vida e obra ao encontro dos ensinamentos budistas. Sua personalidade no país é vista por alguns como excêntrica, principalmente por religiosos.

De qualquer modo, suas obras tendem a ficar pela posteridade, já que desenvolveu, junto aos seus discípulos, um plano de conclusão do Wat Rong Khun após sua morte.


Como chegar ao Templo Branco de Chiang Rai? 


Rodoviária Chiang Rai
Tabela com o horários do ônibus na rodoviária de Chiang Rai

O Templo Branco de Chiang Rai fica aproximadamente 10 km do centro da cidade. É possível chegar lá de táxi, tuk tuk, bicicleta ou de transporte público. Fiquei com a última opção!

Partindo da rodoviária da cidade (localizada bem no centro) um ônibus faz a cada meia hora o trajeto de ida por apenas 20 THB. É preciso pedir ao motorista que avise quando chegar próximo ao Templo. É uma avenida bem movimentada. De lá, basta caminhar alguns metros. Na volta, atravesse a avenida e pegue o transporte do lado contrário onde desceu. 


Serviço:


Wat Rong Khun (Templo Branco)
60 หมู่ที่ 1 Phahonyothin Rd, Pa O Don Chai – Chiang Rai – Tailândia  http://www.วัดร่องขุ่น.com
Ingresso: 100 thb por pessoa – Gratuito para tailandeses.
Horário de abertura: segunda a sexta: 8h às 17h30 | sábados, domingos e feriados: 8h às 18h.


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Olá, meu nome é Thatiane Ferrari

Jornalista especializada em cultura. Já zanzei por mais de 35 países, na maioria das vezes sozinha e com o orçamento curto. Decidi reunir aqui minhas andanças pelo mundo, com o objetivo de compartilhar e estimular a ideia de menos consumo e mais vivência. Viajar é possível, basta planejar!

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