Pôr do Sol na Amazonia
20.08.2019 Andar de barco pela Amazônia: como funciona?

Em uma viagem para conhecer os encantos da maior floresta do planeta, é natural que a opção de transporte seja andar de barco pela Amazônia, já que por lá, os rios funcionam como grandes estradas.

Os prazeres desse tipo de viagem estão nos pequenos detalhes: assistir o belíssimo amanhecer deitada na rede, a diversidade da vegetação que acompanha todo o trajeto nas margens do rio ou o pôr do sol visto do último andar da embarcação.

Mas também é nosso dever enxergar a pobreza, o desmatamento e a falta de cuidados com a paisagem verdejante. Andar de barco pela Amazônia é cansativo, porém inesquecível!

Barco Ana Beatriz
Embarcação Ana Beatriz: uma das melhores de toda a Amazônia

Andar de barco pela Amazônia: principais dicas para uma boa viagem!

Decidi reunir em um só lugar as principais dicas de uma viagem pela Amazônia, explicando todos os pontos, desde a compra das passagens, até como manter a segurança dentro da embarcação:

Passagens de barco

– Procure comprar as passagens de barco com agentes autorizados em locais seguros, que geralmente são em mesinhas na rua. Isso é muito importante, pois na região do porto sempre ficam muitas pessoas oferecendo passagens e em alguns casos podem ser golpes. Para verificar preços, clique aqui.

Pesquise sobre a embarcação e a estrutura oferecida. Normalmente eles apresentam fotos, mas dá para buscar rapidamente no Google. Pela minha pequena vivência em barcos e por recomendações de um amapaense que conheci na pousada, a melhor rede de embarcações da região amazônica é a Ana Beatriz.

– As viagens não são contadas por horas e sim por dias. De Manaus, no Amazonas para Santarém, no Pará é uma noite e dois dias. Já de Santarém para Belém do Pará, são duas noites e três dias. Já o contrário, pode variar conforme a correnteza.

Redes no barco na Amazônia
Durante todo o trajeto, que pode durar dias, ficamos deitados em redes

– Já saiba que não existe hora certa para sair e muito menos para chegar. Tudo depende do carregamento no setor de cargas, na quantidade e tempo de paradas durante a viagem e também da fluência do rio.

– Além da passagem de barco, é preciso também comprar uma rede e cordas para amarrar. Os barcos não possuem assentos, apenas ganchos numerados para que cada um possa pendurar a sua rede.

– Grandes embarcações geralmente possuem 4 andares. O térreo, o primeiro andar com ar-condicionado e refeitório, o segundo andar aberto, o terceiro andar aberto com bar e sala de cinema e o quarto andar apenas para observação e botes salva-vidas.

– Há também a venda de camarotes, pequenos quartos com beliches e ar-condicionado. Os preços costumam ser bem caros.

– Para quem não quer vivenciar esse tipo de experiência, existe a opção de transporte com lanchas. Geralmente o tempo de viagem diminui de maneira considerável, porém o valor aumenta um pouco. 

Banho no barco na Amazonia
As temperaturas são bem quentes e tudo vale na hora de se refrescar

Dentro da embarcação

– Consulte a previsão de saída da embarcação e chegue pelo menos 3 horas antes para escolher seu lugar, pendurar a rede e acomodar suas bagagens. Convém ficar longe dos banheiros. Pode parecer exagero, mas em embarcações lotadas muitas vezes é impossível lugares juntos e o espaço fica limitante. Já dormi com uma rede em cima da minha, sem nem conseguir mexer as pernas.

Restaurate no barco na Amazônia
Restaurante dentro da embarcação onde são vendidas marmitas

– Normalmente os barcos possuem bar e refeitório que oferecem refeições e lanches rápidos. Os preços são populares, mas é bom levar frutas, bolachas e pães para variar a alimentação. Evite levar alimentos que estragam com o calor. Água gelada é gratuita nos diversos bebedouros espalhados.

– A venda de marmitas na vara é uma modalidade que só é possível ver por aqui. Os vendedores equilibram o pequeno isopor em sacos plásticos na ponta. Os viajantes retiram a embalagem e colocam o dinheiro, normalmente 10 reais.

Booking.com

Segurança no barco

– Fique de olho na sua bagagem, feche com cadeados e procure deixar tudo organizado. Nem sempre ocorrem furtos, mas é bom prevenir.

– Principalmente durante as paradas em portos e durante a madrugada. Muita gente entra junto com os vendedores ambulantes.

Troncos de árvore do desmatamento da Amazônia
Desmatamento na Amazônia cresceu 278% em julho de 2019, durante a nossa viagem.

– Piratas: sim, eles existem na bacia amazônica. Por isso é importante manter seus pertences sempre perto e caso aconteça alguma coisa é importante não reagir

– Em algumas rotas é normal a embarcação receber a visita de agentes da Polícia Federal. O procedimento é simples, eles entram e pedem para que os passageiros abram todas as malas e bolsas. As bagagens são inspecionadas com a presença do dono e pronto.

Paisagem da floresta amazônica
Paisagens amazônicas nos acompanham durante todo o trajeto

Andar de barco pela Amazônia: rotina de viagem

– Os banheiros possuem além do vaso sanitário, chuveiros de água fria. Dá para tomar banho tranquilamente.

– Existem pontos de energia espalhados pela embarcação, mas ter uma extensão faz toda a diferença.

– No barco é proibido casais dormirem juntos em uma só rede.

– Muitas vezes parece que o tempo não passa. Pense em atividades que possam ajudar a passar o tempos, como música, livros ou escrever relatos da viagem.

– Em algumas rotas o barco balança bastante. Se você já costuma sentir tonturas durante trajetos curtos, convém levar um Dramin.

Comunidades ribeirinhas na Amazônia
Crianças das comunidades ribeirinhas vendendo seus produtos

– Para quem é friorento, um cobertor ou manta leve ajuda a espantar o vento que pode chegar sorrateiro de noite.

– Quando os barcos navegam próximo a margem, é comum ver a comunidade ribeirinha, principalmente crianças, em pequenas canoas vendendo mercadorias ou pedindo comida. Do alto da embarcação, os viajantes jogam pacotes de alimentos industrializados, em sacolas plásticas que acabam boiando.

– Conexão só com a natureza, pois na maioria do tempo a internet não funciona. Avise seus familiares, amigos e até o chefe que você fará um detox forçado do celular, Whatsapp e redes sociais. 

– Opte por usar roupas confortáveis com tecidos leves, pois a maioria do tempo você passará deitado na rede. 

Barco com ribeirinhos da Amazonia
Comunidades ribeirinhas da Amazônia

Dicas extras para andar de barco pela Amazônia

Vá com o coração aberto para conhecer histórias interessantes. Na minha primeira viagem me aproximei de uma jovem grávida de Parintins com o filho. Naturalmente ela me contou coisas muito pessoais e também um pouco sobre a vida na Amazônia. São relatos que nos ajudam a conhecer mais como funciona a estrutura social do lugar.

Já na segunda viagem, acompanhamos de perto a embarcação de um super motor-home suíço, onde um casal de idosos e um cachorro estão há quatro anos viajando pelo mundo. A aventura começou quando ele conseguiu se aposentar, após trabalhar durante 46 anos. Serve de inspiração, já que idade não é fator limitante para quem quer desbravar o mundo!

Fotos: Luca Meola – SITE | INSTAGRAM

PLANEJE A SUA VIAGEM!

Avatar

Olá, meu nome é Thatiane Ferrari

Jornalista especializada em cultura. Já zanzei por mais de 35 países, na maioria das vezes sozinha e com o orçamento curto. Decidi reunir aqui minhas andanças pelo mundo, com o objetivo de compartilhar e estimular a ideia de menos consumo e mais vivência. Viajar é possível, basta planejar!

Bairro da Liberdade em São Paulo

Coisas para fazer em São Paulo: 47 dicas!

por: Thatiane Ferrari
É incrível como a capital paulista, uma das cidades mais cosmopolitas do mundo consegue ser tão diversa e plural. Seus números impressionam. Ela possui 109 parques e &aacut...