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16.06.2016 Como visitar o campo de concentração de Auschwitz

Auschwitz

Era o dia do aniversário do meu pai. Pela manhã, mandei um recadinho e prometi voltar logo após o meu passeio para uma conversa pelo Skype. Imaginava o que estava por vir, mas não pensava que pisar no maior cemitério do mundo, Auschwitz, me colocaria no fundo do poço.

Ao retornar fui direto comer na praça principal do centro de Cracóvia. Era sexta-feira, a rua estava cheia e as pessoas bem animadas. Por fora meu rosto estava atônito, dentro me sentia um caco. Meu corpo doía. Em meio a mordidas em um pão que eu mal consegui comer, postei com o wi-fi público algumas fotos no Facebook com o intuito de compartilhar com meus familiares e amigos próximos o que eu tinha vivenciado. Sentia falta de um abraço.

Escrevi para a minha mãe dizendo que estava muito triste, que queria dormir. Fui descansar com ela dizendo que seria melhor não ter ido, ainda mais sozinha. Recomendou-me planejar algo feliz para o dia seguinte e esquecer tudo aquilo. Como???

Os extensos compartilhamentos das minhas fotos me serviram de apoio para falar sobre o assunto. Obrigada! Algumas pessoas me escrevem perguntando se eu acho que elas devem ir. Não tenho a resposta. Penso que esta é uma decisão individual que possui consequências, pois, é algo que você jamais irá esquecer.

Para quem ainda não viu…

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Auschwitz-Birkenau

Constituído em 1940, Auschwitz é conhecido mundialmente como um dos maiores símbolos do genocídio praticado pelos nazistas. Durante a II Guerra Mundial os alemães invadiram a Polônia e estabeleceram estrategicamente na região de Auschwitz, antiga Oswieçim, um campo de concentração no local onde anteriormente funcionava um alojamento do exército polonês.

Com a alta demanda de prisioneiros e a necessidade de mais espaço o complexo do terror teve de ser, com o passar dos anos, aumentado. No final o local era constituído por três partes: Auschwitz I, Auschwitz II-Birkenau e Auschwitz II-Monowitz. No início, em Auschwitz I apenas poloneses e prisioneiros de guerra soviéticos eram mortos no campo. Depois em 1942, Auschwitz II-Birkenau se tornou o maior lugar de extermínio em massa de judeus em toda a história da humanidade.

Estima-se que mais de 1,3 milhão de pessoas, sendo 90% delas de origem judia vindas de diversas partes da Europa, além de poloneses, presos políticos, prisioneiros soviéticos, homossexuais e ciganos, foram mortas no local. Quem não era executado na câmara de gás morria de fome, frio, doenças infecciosas, trabalho escravo, experiências médicas, suicídio na cerca elétrica ou execuções individuais.

Apenas em janeiro de 1945, com o fim da II Guerra Mundial é que 7 mil prisioneiros foram libertados pelo Exército Vermelho. Ao saírem do local, os alemães tentaram demolir alguns edifícios como a câmara de gás e o crematório de Auschwitz II-Birkenau na tentativa de esconder os horrores causados por eles.

Em 1947, o governo polonês resolveu fazer do antigo campo de concentração um museu, no intuito de preservar a memória daqueles que passaram por ali. Desde 1979 o complexo faz parte da Lista de Herança Mundial da UNESCO.

campo de concentração auschwitz

Chegando na Cracóvia

Não existe voo direto do Brasil para a Cracóvia. Sempre será necessária uma conexão que pode ser feita nos países próximos como a Alemanha, a Suíça ou a Itália, por exemplo. O bom é que você pode testar diversas conexões até encontrar a forma mais barata ou chegar na Polônia de ônibus. Foi o que fiz, viajando com a LUX EXPRESS . Entrei no continente europeu pela Rússia e fui de ônibus até a Polônia, passando pela Letônia e Lituânia.

Hospedagem na Cracóvia

Por conta da localização e do preço escolhi me hospedar no Hostel Benedykta. Ele fica bem no centro da cidade, próximo a estação de trem, rodoviária e das principais atrações turísticas. O quarto mais barato possui três treliches e armários individuais com chave. Tem outras opções de hospedagem com qualidade na Booking.

Campo de concentração

Como chegar a Auschwitz-Birkenau de forma independente?

Existem duas possibilidades de chegar até Auschwitz de forma independente: ônibus ou trem. A grande vantagem é que tanto a estação rodoviária quanto a ferroviária ficam praticamente no mesmo lugar, portanto não será difícil por lá você escolher a melhor forma de transporte. A diferença se dá no local de desembarque. O ponto final do ônibus é na entrada do campo, já o trem fica na estação ferroviária de Oswieçim, em torno de 1,5Km do museu.

Como essas não foram as minhas opções, não tenho maiores detalhes, apenas faço a recomendação óbvia de que você deixe para comprar a passagem de volta no local, pois ficar correndo com horário apertado pode atrapalhar o seu passeio.

De Auschwitz I até Auschwitz II-Birkenau são 4 km. Existe um ônibus que faz o trajeto gratuitamente, porém, apenas entre abril e outubro.

Como visitar Auschwitz sem guia

A entrada ao complexo é gratuita, porém, mesmo quem vai por conta precisa obrigatoriamente retirar seu ingresso de controle de acesso ao local. Ela é liberada antes das 10h e depois das 15h.

Se você vai fazer a visita de forma independente, sem guia, eu recomendo profundamente que você ao menos compre o livreto “Auschwitz Birkenau – Lugar de Memória e Museu”. Ele é vendido na lojinha, custa apenas 8 zlotys e pode servir como um manual explicativo detalhado sobre os locais mais importantes do complexo.

ticket auschwitz

Ingresso para Auschwitz. Como comprar?

É extremamente importante comprar com antecedência o ingresso para a visita guiada no site do Memorial Auschwitz. Lá clique em Reserva e escolha a opção Visitas Individuais.

A entrada ao Campo de Concentração é gratuita, apenas o serviço do guia é cobrado. A visita guiada custa 40 zlotys (algo em torno de R$ 40,00) e possui a duração de 3 horas e meia.

Como não sabia fui comprar meu ticket exatamente um mês antes da visita e na data escolhida não havia mais ingresso. Para o dia seguinte a única visita que ainda havia vagas disponíveis era em italiano. Como eu fazia questão de realizar o tour explicativo acabei comprando mesmo assim.

Acontece que quando cheguei na Cracóvia, percebi que as agências de turismo ofereciam na data que eu realmente precisava, por um preço que incluía o transfer e guia em espanhol. Tive que mudar meus planos e perder o bilhete que eu já havia comprado (eles não fazem reembolso em caso de desistência).

Como visitar com agência de turismo?

No Hostel Benedykta eles possuem uma parceria com a See Krakow Local Tour, uma agência que oferece diversos passeios pela cidade e região. Paguei 155 zlotys (mais ou menos R$ 155,00) pelo transfer do centro da cidade até Auschwitz I, o transfer de Auschwitz I até Auschwitz II-Birkenau e a volta de Auschwitz II-Birkenau para Cracóvia, além claro do serviço do guia no local. A visita toda dura de 6 a 7 horas e não existe pausa para o almoço. Os horários variam, então é bom consultar o site.

birkenau

Outras dicas!

  • É proibida a entrada com bolsas grandes, mochilas ou grandes volumes. Existe uma triagem na porta e apenas pessoas com bolsas super pequenas passam pela segurança. Existe um guarda-volumes que permite com que você guarde seus pertences. Vale lembrar que cada complexo possui o local de armazenamento. Se você ao se dirigir a Auschwitz II-Birkenau retirar seus pertences de Auschwitz I terá de pagar novamente uma nova taxa. 
  • Na entrada de Auschwitz I vi quiosques vendendo lanches e no estacionamento vi restaurantes que oferecem refeições mais completas. 
  • Em muitas das salas existem placas pedindo para não tirarem fotos. É o caso da parte onde estão cabelos de diversas prisioneiras mortas nas câmaras de gás. Eles eram arrancados para serem usados na confecção de roupas para os soldados. Muitas pessoas não respeitam e fazem de tudo para burlar as regras e clicar o local… Por consideração aos falecidos acho importante obedecer. 
  • Você está pisando em um local de luto, onde jazem as cinzas de milhares de pessoas. Respeite o ambiente. 
  • Para conhecer um pouco mais sobre a história dessa época, recomendo também a visita a Casa de Anne Frank, em Amsterdam. 
  • Dúvidas? Me escreva nos comentários!

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Olá, meu nome é Thatiane Ferrari

Jornalista especializada em cultura. Já zanzei por mais de 35 países, na maioria das vezes sozinha e com o orçamento curto. Decidi reunir aqui minhas andanças pelo mundo, com o objetivo de compartilhar e estimular a ideia de menos consumo e mais vivência. Viajar é possível, basta planejar!

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